Diante de uma conjuntura de avanço do conservadorismo e do neofascismo na sociedade e política brasileiras, as eleições municipais de 2020 ganham um caráter relevante para as organizações de esquerda.
O governo de Jair Bolsonaro busca enraizar seu projeto e, para este objetivo, as cidades e câmaras municipais apresentam-se como importante trincheira há dois anos da campanha para sua reeleição.
Trata-se de um projeto de ultraliberalização da economia e enfraquecimento das políticas sociais, o que implica destruição dos direitos trabalhistas, venda das empresas estatais, opressão contra os povos indígenas, quilombolas, sem-terra, negros e negras, população LGBTI.
O atual governo promove repressão contra trabalhadores, nas periferias e no campo, em nome da expansão do agronegócio, da destruição ambiental, da destruição de empregos e precarização do trabalho, do fim de qualquer soberania nacional.
A esquerda e a classe trabalhadora ainda sentem o impacto do golpe de 2016 que se materializou em uma derrota estratégica. A grande fragmentação de candidaturas progressistas nas principais capitais ainda é um sintoma deste período difícil.
Ao mesmo tempo, exige-se a reconstrução de trabalho de base, construção de um programa democrático e popular que resolva os problemas do povo, esforços de organização e comunicação popular para enfrentar um inimigo que disputa palmo a palmo com a esquerda a influência das massas populares.
De forma urgente, a solidariedade popular é necessária em meio a um período de crise econômica, política, sanitária e social.
No Paraná, o período recente foi de gestões neoliberais, aliadas a Bolsonaro, representadas por Ratinho Júnior (PSD), no governo do estado, bem como por Rafael Greca (DEM), na prefeitura da capital, e Marcelo Belinati, na prefeitura de Londrina, os quais implementaram um projeto privatista e empresarial.
A aliança entre estes símbolos da velha política tem se consolidado como a grande ameaça conservadora com possibilidades de vitória.
O resultado seria a reeleição de Greca e Belinati por mais quatro anos. Na extrema-direita, em ambas as cidades há candidaturas bolsonaristas como as do Delegado Francischini (PSL), em Curitiba, e de Boca Aberta (Pros), em Londrina. Tais candidaturas são ainda mais anti-povo e, considerando isso, toda iniciativa de desgaste da direita e dos setores alinhados com o governo Bolsonaro deve ser empreendida.
Apoios
Neste momento, concentraremos nossos esforços nas eleições proporcionais de Curitiba. Nosso apoio e militância se dá em torno da candidatura de Vanda de Assis – 13131 – , companheira que há anos constrói a possibilidade de um Projeto Popular para Curitiba, inserida que está nas lutas sociais da cidade. Seu trabalho como assistente social junto a movimentos de carrinheiros, população em situação de rua, educação popular e luta por moradia a credencia para representar as lutas populares na Câmara Municipal e, uma vez lá, certamente não fará dela um espaço em si mesmo, mas seguirá incentivando experiências de organização popular, emulação de lutas e geração de renda.
Apoiaremos também a candidata Ana Júlia Ribeiro – 13013 – pela pauta da defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, por seu envolvimento histórico nas mobilizações e organização estudantil durante as ocupações das escolas em 2016, por seu engajamento político nas lutas populares e da juventude. Acreditamos ser necessário ocupar a política com mais mulheres jovens que estejam alinhadas a um projeto que defenda o acesso à educação universal para crianças e jovens, trabalho e renda para a juventude.
Campo popular e de luta
Temos que mencionar aqui e fazer referência às candidaturas que também conformam um campo de luta e referência para a classe trabalhadora.
Certamente farão a diferença nesta campanha do ponto de vista da politização e de suas pautas: as companheiras da Mandata Coletiva das Pretas, Giorgia Prates e Andréia de Lima (PT); o companheiro Renato Almeida de Freitas (PT); o mandato coletivo Ekoa, com, dentre outros, Thiago Bagatin e Setembrino Rodrigues (Psol); Ivan Carlos Pinheiro (PT), liderança da União de Moradores/as e Trabalhadores/as do Bolsão Formosa; Anaterra Viana (PT) e também a atual vereadora Professora Josete (PT), um mandato fundamental que se mantenha no enfrentamento contra o conservadorismo.
Estamos seguros de que este é um momento importante para barrar o avanço do conservadorismo, criar confiança entre as organizações de esquerda em torno de pautas relevantes e, sobretudo, voltar a enraizar a presença da esquerda nos locais de trabalho e moradia da classe trabalhadora. É por isso que a Consulta Popular do Paraná defende a participação nessas eleições, buscando promover um projeto popular para nossas cidades.
Pátria Livre, venceremos!
Outubro de 2020

