Nota pública da Organização Consulta Popular: cuidar da vida do povo, exigir direitos sociais e combater o governo Bolsonaro

A disseminação do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil e principalmente a forma irresponsável com que o presidente Jair Bolsonaro reagiu à pandemia agravaram a crise brasileira. A convergência de crise econômica, política e sanitária cria as condições para o aumento do desemprego e piora nas condições de vida da classe trabalhadora. Milhões de pessoas estão ameaçadas de cair na miséria e até de perderem a vida.

A crise sanitária e o aprofundamento da crise econômica internacional ocorrem no momento em que a retirada de direitos, a destruição da soberania nacional e os ataques à democracia já expressavam uma brutal ofensiva na aplicação do neoliberalismo no Brasil.

A crise econômica internacional de 2008 teve como epicentro a esfera financeira, alastrando-se para a produção. Porém, a atual crise econômica tem a singularidade de ter iniciado na esfera produtiva e impactado a esfera financeira e o mercado de crédito. A situação vai transitar para um quadro de recessão, podendo até mesmo atingir um quadro de depressão econômica no sistema mundial, caso não sejam efetivadas medidas anticíclicas adequadas.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro contraria publicamente a orientação da Organização Mundial de Saúde em torno do isolamento social que está sendo aplicada em outros países. Demonstra indiferença com a saúde do povo brasileiro em nome da “economia” de banqueiros, de setores dependentes e do grande capital. Busca desmontar as medidas de prevenção e o isolamento social necessário, podendo nos levar a uma crise humanitária de proporções gravíssimas.

A postura do presidente Jair Bolsonaro frente ao novo coronavírus favoreceu a perda de aliados, abriu uma nova perspectiva de atuação da esquerda, mas também no campo das representações da direita e centro-direita que tem contradições com o bolsonarismo.

Já é possível constatar o isolamento institucional de Bolsonaro, a perda de apoio em camadas da classe média, um desgaste em setores populares e uma dura oposição de parte dos grandes meios de comunicação, notadamente a Globo e a Folha de S. Paulo, que reprovam sua conduta diante da crise do coronavírus. O governo federal segue tentando confundir e dividir a população, e sobretudo a classe trabalhadora que está na informalidade, precarizada e subempregada, ao incentivá-la a voltar ao trabalho, sem, contudo, fornecer medidas suficientes e adequadas de amparo trabalhista.

Sabemos que o governo Bolsonaro representa os interesses da burguesia interna, de setores militares, de burocratas de estado, do grande capital internacional e de centros de poder mundial.

O bloco burguês, apesar de suas diferenças internas, tem em comum um projeto de restauração acelerada do neoliberalismo, com suas reformas neoliberais que intensificam a exploração da classe trabalhadora.

Ainda assim, nos cabe, na atual situação política, incidir nas contradições do bloco burguês que se intensificaram especificamente no contexto da crise econômica e sanitária. Tal contradição se expressa entre o campo neofascista e o campo democrático liberal.

Desgastar e isolar o neofascismo é tarefa de todos que tenham compromisso com a defesa dos interesses do povo brasileiro.

É fundamental que diante deste cenário o campo democrático e popular, além de incidir nas contradições dos inimigos de classe, priorize fortalecer seu próprio projeto político, sua própria plataforma programática, sua própria mensagem e palavra de ordem unitárias que acumulem forças para superar a crise brasileira.

Ainda temos uma pulverização de palavras de ordens. É um debate aberto nas forças populares e que pode ser equacionado nos próximos dias ou semanas em torno de uma palavra de ordem ampla e unitária.

A classe trabalhadora é quem mais sofrerá os impactos sociais das crises econômica e sanitária. Alguns possíveis cenários podem se impor. Destacamos dois: um cenário de piora da economia, dos índices de emprego e empobrecimento acompanhado por um número de mortes dentro dos padrões, quando comparado internacionalmente, o governo Bolsonaro pode sair menos desgastado e tende a colocar a culpa nos governadores e no Congresso Nacional.

Entretanto, num cenário de piora da economia, do desemprego e do empobrecimento, marcado por um grande número de vítimas da pandemia, o desgaste e o isolamento do governo Bolsonaro tendem a se intensificar. Neste cenário, podem surgir tentações para saídas autoritárias que devemos combater desde já.

A encruzilhada e a disputa pelos rumos do país estão colocadas. Por isso, é fundamental um amplo movimento na sociedade que apresente uma alternativa democrática e popular de superação da crise brasileira.

A Frente Brasil Popular, os sindicatos, movimentos populares, partidos e demais entidades da sociedade civil devem intensificar sua atuação nas redes sociais e panelaços, denunciando a negligência de Bolsonaro com a saúde e exigindo um basta em toda esta política anti-povo.

MEDIDAS NECESSÁRIAS

Diante disso, a Consulta Popular se soma aos esforços das organizações populares no sentido de denúncia e desgaste permanente desse governo.

Ao lado disso, nos somamos a uma política nacional de solidariedade voltada às populações e trabalhadores menos favorecidos neste momento. A partir de sua própria organização, fortalecendo e ampliando as redes de solidariedade.

Devemos reforçar nossa organização e nosso cuidado militante porque o próximo período será de profunda instabilidade. Seguir o isolamento social necessário neste momento, como compromisso com o povo e com a não difusão do coronavírus, mas fazendo desde já o embate ideológico e as ações de solidariedade popular, que permitam acumularmos força para o próximo período.

De imediato, orientamos a participação da militância nos panelaços convocados pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, no dia 31 de março.

Apresentamos também as saídas imediatas para a crise, que devem ser objetivo de nossa pressão política e diálogo com a classe trabalhadora e com as massas populares:

– Basta Bolsonaro! Estimular todas as iniciativas que desgastem e isolem o governo.
– Revogação do teto de gastos (Emenda Constitucional 95), a fim de garantir os investimentos necessários para fortalecer os serviços públicos, especialmente a saúde e a proteção social.
– Taxação de grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças
– Utilização dos recursos do Tesouro Nacional como fonte de financiamento das medidas de salvação nacional para o sistema de saúde pública e para proteção da classe trabalhadora por meio de renda e emprego a todos os trabalhadores formais e informais.
– Garantir que não faltem recursos financeiros, materiais e humanos ao Sistema Público de Saúde, especialmente ao Sistema Único de Saúde (SUS), que tem sido central no combate à pandemia.
– Garantir renda mínima de um salário mínimo a todos trabalhadores e trabalhadoras precarizados e informais.
– Garantir a isenção do pagamento nas tarifas de energia elétrica, água, gás de cozinha e aluguel a todos trabalhadores formais e informais. Assim como a proibição de cortes, multas, despejos e aumentos nestes itens durante o período de declaração de estado de calamidade pública.
– Garantir uma política governamental de compra direta de alimentos saudáveis da agricultura camponesa e distribuição de cestas de alimentos para todas as famílias de trabalhadores urbanos de baixa renda.

Basta Bolsonaro!

Pátria Livre! Venceremos!

Organização Consulta Popular, 30 de março de 2020.

Nota pública da Organização Consulta Popular: cuidar da vida do povo, exigir direitos sociais e combater o governo Bolsonaro

A disseminação do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil e principalmente a forma irresponsável com que o presidente Jair Bolsonaro reagiu à pandemia agravaram a crise brasileira. A convergência de crise econômica, política e sanitária cria as condições para o aumento do desemprego e piora nas condições de vida da classe trabalhadora. Milhões de pessoas estão ameaçadas de cair na miséria e até de perderem a vida.

A crise sanitária e o aprofundamento da crise econômica internacional ocorrem no momento em que a retirada de direitos, a destruição da soberania nacional e os ataques à democracia já expressavam uma brutal ofensiva na aplicação do neoliberalismo no Brasil.

A crise econômica internacional de 2008 teve como epicentro a esfera financeira, alastrando-se para a produção. Porém, a atual crise econômica tem a singularidade de ter iniciado na esfera produtiva e impactado a esfera financeira e o mercado de crédito. A situação vai transitar para um quadro de recessão, podendo até mesmo atingir um quadro de depressão econômica no sistema mundial, caso não sejam efetivadas medidas anticíclicas adequadas.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro contraria publicamente a orientação da Organização Mundial de Saúde em torno do isolamento social que está sendo aplicada em outros países. Demonstra indiferença com a saúde do povo brasileiro em nome da “economia” de banqueiros, de setores dependentes e do grande capital. Busca desmontar as medidas de prevenção e o isolamento social necessário, podendo nos levar a uma crise humanitária de proporções gravíssimas.

A postura do presidente Jair Bolsonaro frente ao novo coronavírus favoreceu a perda de aliados, abriu uma nova perspectiva de atuação da esquerda, mas também no campo das representações da direita e centro-direita que tem contradições com o bolsonarismo.

Já é possível constatar o isolamento institucional de Bolsonaro, a perda de apoio em camadas da classe média, um desgaste em setores populares e uma dura oposição de parte dos grandes meios de comunicação, notadamente a Globo e a Folha de S. Paulo, que reprovam sua conduta diante da crise do coronavírus. O governo federal segue tentando confundir e dividir a população, e sobretudo a classe trabalhadora que está na informalidade, precarizada e subempregada, ao incentivá-la a voltar ao trabalho, sem, contudo, fornecer medidas suficientes e adequadas de amparo trabalhista.

Sabemos que o governo Bolsonaro representa os interesses da burguesia interna, de setores militares, de burocratas de estado, do grande capital internacional e de centros de poder mundial.

O bloco burguês, apesar de suas diferenças internas, tem em comum um projeto de restauração acelerada do neoliberalismo, com suas reformas neoliberais que intensificam a exploração da classe trabalhadora.

Ainda assim, nos cabe, na atual situação política, incidir nas contradições do bloco burguês que se intensificaram especificamente no contexto da crise econômica e sanitária. Tal contradição se expressa entre o campo neofascista e o campo democrático liberal.

Desgastar e isolar o neofascismo é tarefa de todos que tenham compromisso com a defesa dos interesses do povo brasileiro.

É fundamental que diante deste cenário o campo democrático e popular, além de incidir nas contradições dos inimigos de classe, priorize fortalecer seu próprio projeto político, sua própria plataforma programática, sua própria mensagem e palavra de ordem unitárias que acumulem forças para superar a crise brasileira.

Ainda temos uma pulverização de palavras de ordens. É um debate aberto nas forças populares e que pode ser equacionado nos próximos dias ou semanas em torno de uma palavra de ordem ampla e unitária.

A classe trabalhadora é quem mais sofrerá os impactos sociais das crises econômica e sanitária. Alguns possíveis cenários podem se impor. Destacamos dois: um cenário de piora da economia, dos índices de emprego e empobrecimento acompanhado por um número de mortes dentro dos padrões, quando comparado internacionalmente, o governo Bolsonaro pode sair menos desgastado e tende a colocar a culpa nos governadores e no Congresso Nacional.

Entretanto, num cenário de piora da economia, do desemprego e do empobrecimento, marcado por um grande número de vítimas da pandemia, o desgaste e o isolamento do governo Bolsonaro tendem a se intensificar. Neste cenário, podem surgir tentações para saídas autoritárias que devemos combater desde já.

A encruzilhada e a disputa pelos rumos do país estão colocadas. Por isso, é fundamental um amplo movimento na sociedade que apresente uma alternativa democrática e popular de superação da crise brasileira.

A Frente Brasil Popular, os sindicatos, movimentos populares, partidos e demais entidades da sociedade civil devem intensificar sua atuação nas redes sociais e panelaços, denunciando a negligência de Bolsonaro com a saúde e exigindo um basta em toda esta política anti-povo.

MEDIDAS NECESSÁRIAS

Diante disso, a Consulta Popular se soma aos esforços das organizações populares no sentido de denúncia e desgaste permanente desse governo.

Ao lado disso, nos somamos a uma política nacional de solidariedade voltada às populações e trabalhadores menos favorecidos neste momento. A partir de sua própria organização, fortalecendo e ampliando as redes de solidariedade.

Devemos reforçar nossa organização e nosso cuidado militante porque o próximo período será de profunda instabilidade. Seguir o isolamento social necessário neste momento, como compromisso com o povo e com a não difusão do coronavírus, mas fazendo desde já o embate ideológico e as ações de solidariedade popular, que permitam acumularmos força para o próximo período.

De imediato, orientamos a participação da militância nos panelaços convocados pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, no dia 31 de março.

Apresentamos também as saídas imediatas para a crise, que devem ser objetivo de nossa pressão política e diálogo com a classe trabalhadora e com as massas populares:

– Basta Bolsonaro! Estimular todas as iniciativas que desgastem e isolem o governo.
– Revogação do teto de gastos (Emenda Constitucional 95), a fim de garantir os investimentos necessários para fortalecer os serviços públicos, especialmente a saúde e a proteção social.
– Taxação de grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças
– Utilização dos recursos do Tesouro Nacional como fonte de financiamento das medidas de salvação nacional para o sistema de saúde pública e para proteção da classe trabalhadora por meio de renda e emprego a todos os trabalhadores formais e informais.
– Garantir que não faltem recursos financeiros, materiais e humanos ao Sistema Público de Saúde, especialmente ao Sistema Único de Saúde (SUS), que tem sido central no combate à pandemia.
– Garantir renda mínima de um salário mínimo a todos trabalhadores e trabalhadoras precarizados e informais.
– Garantir a isenção do pagamento nas tarifas de energia elétrica, água, gás de cozinha e aluguel a todos trabalhadores formais e informais. Assim como a proibição de cortes, multas, despejos e aumentos nestes itens durante o período de declaração de estado de calamidade pública.
– Garantir uma política governamental de compra direta de alimentos saudáveis da agricultura camponesa e distribuição de cestas de alimentos para todas as famílias de trabalhadores urbanos de baixa renda.

Basta Bolsonaro!

Pátria Livre! Venceremos!

Organização Consulta Popular, 30 de março de 2020.

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