Por Lucas Henrique Araújo (Cerrado)*
Da página da Consulta Popular
Buscando abrir o diálogo sobre a negociação salarial e romper um histórico de criminalização da luta sindical imposta pelo governo municipal e sua política neoliberal, servidores públicos de São Carlos, no interior de São Paulo, realizaram uma greve entre os dias 13 e 15 de abril de 2026. A greve demonstrou a força e capacidade de mobilização da categoria e proporcionou acúmulos sobre vitórias possíveis dentro das condições colocadas pela atual conjuntura.
Um respiro em um cenário de desmobilização
A cidade de São Carlos já foi palco de grandes lutas e mobilizações. Greves de professores, mobilizações dos metalúrgicos, estudantes das duas universidades ocupando as ruas e seguindo o calendário de lutas marcaram nossa história. Em 2017, uma das mobilizações mais fortes foi a greve geral do dia 28 de abril contra a reforma da previdência, com adesão de diversos sindicatos e entidades estudantis.
Nos últimos anos, no entanto, o cenário é de grande desmobilização dos trabalhadores. Assim como no cenário nacional, não há grandes greves deflagradas. Os atos ocupam cada vez menos espaço nas ruas. O 8 de março, que sempre abriu o calendário de lutas em São Carlos, tem encolhido a cada edição. Talvez as duas mobilizações mais marcantes dos últimos tempos, ainda que com alcance limitado, tenham sido a luta contra a PEC da Blindagem e a mobilização dos servidores públicos em frente à Câmara, ambas em 2025.
Nesse contexto, chamou atenção a luta e mobilização dos servidores públicos durante a greve de 13 a 15 de abril. O movimento contou com assembleias lotadas, atos que paralisaram a Avenida São Carlos e mais de 1.500 servidores mobilizados. Esses atos mostraram a resistência e a capacidade de mobilização da categoria, mesmo em um cenário de derrotas e paralisia da classe trabalhadora.
A greve expôs a força de uma categoria que o governo Netto Donato achava que podia ignorar. No ano anterior, a prefeitura já havia empurrado um projeto na Câmara sem negociar com os servidores. Este ano, avançou na privatização da merenda e deixou no ar a ameaça de privatizar o SAAE. Tudo isso sem encontrar resistência organizada nas ruas. Mas por que a greve foi tão curta? Por que não avançamos mais? As respostas passam pelo projeto da direita neoliberal, e vamos analisar isso ao longo do texto.







A linha do tempo da greve (a negociação salarial de 2025 e a greve de 2026)
A quebra da negociação (2025)
Durante as negociações salariais de 2025, houve uma quebra do que era considerado sagrado na relação entre a prefeitura e os servidores, representados pelo SINDSPAM (Sindicato dos Servidores Públicos, Empregados Públicos e Autárquicos Municipais de São Carlos).
Os servidores públicos construíram em assembleia uma pauta e a enviaram à prefeitura. Após reuniões de negociação a contraproposta enviada pela prefeitura ficou muito aquém do que era reivindicado. Os servidores rejeitaram essa contraproposta, em nova assembléia no dia 29 de março de 2025. Mesmo com a rejeição, o prefeito Netto Donato fechou as portas para a negociação e enviou o projeto, sem alterações, para a Câmara Municipal na terça-feira seguinte, 1º de abril. Nesse mesmo dia, os servidores realizaram uma paralisação com ato em frente à Câmara, buscando apoio dos vereadores e a retomada das negociações.
Os vereadores da base do prefeito apoiaram e aprovaram o projeto mesmo com o atropelo. Fizeram exceção os vereadores de esquerda, da oposição, que lutaram de forma veemente contra a manobra: Raquel Auxiliadora e Lineu Navarro (PT), Djalma Nery e Fernanda Castelano (PSOL) e Larissa Camargo (PCdoB). Essa quebra não foi apenas um erro de gestão, mas uma escolha política clara. Enquanto negava aumento real aos servidores, o prefeito inflava a máquina pública com dezenas de novos cargos de confiança. O impacto orçamentário dessas nomeações ultrapassou R$ 1,4 milhão na comparação entre 2024 e 2025. O dinheiro que faltava para garantir ganho real aos servidores de base parecia ser direcionado à acomodação de aliados em postos estratégicos.
O agravante ficou ainda mais evidente no tratamento dado ao plano de carreira. Nas poucas vezes em que sentou para negociar com a comissão do sindicato, o prefeito utilizou o mesmo argumento: não concederia aumento real significativo porque precisava viabilizar o plano de carreira. Era a moeda de troca para justificar o arrocho. No entanto, ao analisar a Lei Orçamentária Anual de 2026, o plano sequer foi citado. Mesmo com a comissão paritária ainda elaborando o projeto, seria possível prever um valor base e remanejar recursos posteriormente. Não foi feito. O que tivemos foi um esquecimento completo. Um esquecimento que, para quem acompanhou o processo, não parece casual.
O começo das negociações e o vídeo do Prefeito
Na negociação de 2026, a situação foi ainda pior. A primeira assembleia dos servidores aprovou uma pauta inicial abrangente. As reivindicações incluíam insumos básicos em falta nas unidades de trabalho, muitas vezes custeados pelos próprios servidores, reivindicações dos servidores da educação que possuem duplo vínculo, a falta de café da manhã adequado nas unidades, a volta da possibilidade de férias em pecúnia ainda que vencidas, a insalubridade aplicada sobre o salário base, dentre outras. Também pediam um plano de enfrentamento à violência e um plano de demissão voluntária. Eram demandas essenciais para a melhoria do serviço público.
Durante quatro reuniões, o diálogo foi intransigente e difícil. O prefeito não compareceu a nenhuma delas e sequer apresentou justificativa. A prefeitura negou tudo o que implicasse impacto financeiro imediato. As demais pautas ficaram “em estudo” ou como mera “possibilidade futura”. O problema é que muitos desses itens já estavam previstos em acordos anteriores, como o café da manhã. O descumprimento contínuo foi corroendo a confiança dos servidores nos acordos formais.
Do que foi discutido, o único avanço concreto foi a venda de férias. A prefeitura admitiu retomar a compra, mesmo em períodos vencidos. Tratava-se de um direito já conquistado, que nunca deveria ter sido retirado. A mobilização e a insistência da comissão conseguiram recuperá-lo na mesa de negociação.
O principal, porém, era a questão econômica. Desde o início, a comissão da prefeitura negou qualquer possibilidade de aumento real. O vale-refeição teve reajuste de apenas 60 reais. Os servidores enfrentam falta de pessoal, sobrecarga de trabalho, condições precárias de estrutura, ausência de EPI, de insumos e até de café. Diante de uma proposta como essa, a reação foi de indignação, algo reiterado ao longo de todas as reuniões. Ainda assim, a comissão da prefeitura manteve uma postura intransigente.
A comissão dos servidores solicitou uma proposta com ao menos 6% de aumento real para levar à assembleia. A prefeitura encerrou as negociações, afirmando que enviaria sua proposta final.
A cereja do bolo veio em seguida: o prefeito publicou um vídeo em suas redes sociais apresentando como iria “valorizar os servidores”, como se não houvesse mais negociação em curso. A proposta incluía reajuste de 3,81%, apenas a reposição do IPCA, sem ganho real, a substituição da cesta básica por 400 reais, valor que não cobre os 36 itens, e vale-refeição de 1.260 reais. O plano de carreira, segundo o vídeo, estaria garantido.
No entanto, o documento enviado ao sindicato contava outra história. O plano de carreira aparecia condicionado à viabilidade orçamentária, jurídica e ao avanço dos estudos de implementação, na prática, uma promessa sem garantia. O vídeo tentou apresentar o arrocho como conquista. Incluiu ainda o pagamento do descongelamento dos triênios, um direito previsto em lei federal que já deveria ser cumprido. Tampouco houve esclarecimento sobre o pagamento do retroativo. Diante desse cenário, os servidores rejeitaram a proposta.
A greve (13 a 15/04)
Diante da suspensão das negociações por parte da prefeitura, o sindicato agendou assembleia para a quarta-feira, 8 de abril. Nessa assembleia, que contava com uma grande mobilização de mais de 500 servidores públicos, a proposta da prefeitura foi rejeitada praticamente por unanimidade. Pouquíssimos servidores presentes votaram a favor da troca da cesta básica pelos 400 reais, mas a grande maioria rechaçou a proposta.
De forma geral, a insatisfação era muito grande. Quando deveria ser debatido o que fazer em sequência, os servidores, indignados com a falta de diálogo e valorização por parte da gestão, sequer consideraram votar uma paralisação. Demandaram e exigiram que fosse votada a greve, que acabou sendo aprovada quase por unanimidade, além de uma contraproposta à Prefeitura exigindo 7% de aumento, ou seja, 3,19% de aumento real.
Com a greve deflagrada, foi protocolado o aviso no Paço Municipal no dia 9 de abril, às 9h da manhã, com a comissão de greve e o sindicato. O documento, além de sinalizar a greve em decorrência da falta de abertura para negociação, também apontava o desejo de reabrir as negociações até o dia 13/04 e que, caso a prefeitura enviasse uma nova proposta ou convocasse a comissão de negociação, uma assembleia poderia ser convocada, inclusive durante o fim de semana, para evitar que a greve ocorresse.
Ao invés do caminho da negociação, a prefeitura utilizou as vias jurídicas. Peticionou na Justiça a ilegalidade do movimento e o fim da greve, defendendo que esta era político-partidária e que o sindicato não havia enviado contraproposta à prefeitura.. A decisão sobre a petição foi dada em liminar no domingo, por volta das 22h, exigindo que 70% dos serviços fossem mantidos em funcionamento.
Aqui, vale apontar que o comitê de greve, previamente reunido, já tinha a preocupação com o funcionamento dos serviços públicos. Determinou, inclusive, que as próprias UPAs, Guarda Municipal, SAMU, ETA e ETE (estações de tratamento de água e esgoto) funcionassem em 100%. As unidades de saúde funcionariam com 50%, e o restante poderia paralisar totalmente. A liminar, no entanto, estabelecia o funcionamento de 70% sem detalhar como isso deveria ocorrer. Houve dúvidas, por exemplo, se eram 70% do total ou 70% por unidade ou categoria.
Ao se recusar a dialogar com os servidores e recorrer diretamente à Justiça, a gestão deixou claro quais seriam seus métodos. Criminalizar o movimento dos trabalhadores e esperar resolver de forma judicial às negociações. Os servidores se espantaram com a prontidão da Justiça, que, diga-se de passagem, nunca apontou em liminar a necessidade de EPIs adequados nas escolas, nem verificou as demandas dos servidores em relação aos insumos de trabalho, mas que prontamente atendeu à prefeitura em sua tentativa de desmobilização da greve. Assim que a liminar foi concedida, a prefeitura fez questão de divulgá-la em todos os seus canais e espalhá-la nos grupos de trabalho por meio de cargos comissionados. A decisão, além de estabelecer o funcionamento mínimo, também marcava audiência de conciliação para a quinta-feira seguinte, 16 de abril.
O que parecia que poderia quebrar a possibilidade de mobilização por parte dos servidores, não se confirmou. Na segunda-feira pela manhã, dia 13/04, havia cerca de 1.500 servidores na rua.
O primeiro dia de greve contou com uma mobilização muito grande, e os servidores, reunidos na Praça dos Voluntários, saíram em ato pela Avenida São Carlos até o Paço Municipal, às 10h, exigindo negociação e respeito aos servidores públicos. A comissão da prefeitura recebeu os servidores e, pela primeira vez desde o início das negociações, decidiu registrar ata, alegando durante a reunião que não havia recebido contraproposta. Ficava claro que buscavam sustentar o argumento de ilegalidade da greve. Durante a reunião, prometeram convocar a comissão ainda no mesmo dia para apresentar uma proposta. Os servidores voltaram a se mobilizar durante a tarde na Praça dos Voluntários, mas a proposta não chegou.
No segundo dia, a mobilização continuava grande. Os servidores, pela manhã, ainda aguardando uma proposta, decidiram em votação, em modelo de assembleia junto à comissão de greve, não subir ao Paço naquele momento, esperando que a proposta fosse apresentada. Porém, diante da falta de retorno por parte da prefeitura, foi convocada uma assembleia para a Praça do Mercado Municipal.
A prefeitura não enviou proposta durante toda a tarde e, quando a assembleia já estava marcada para às 16h, encaminhou uma proposta às 15h50, no prédio do sindicato. Nessa proposta, praticamente nada havia mudado. O único ponto alterado foi a manutenção dos 36 itens da cesta básica. Era um resultado da mobilização dos servidores, mas ainda insuficiente diante da demanda por diálogo e valorização real. Diante disso, os servidores decidiram novamente subir em ato até a prefeitura, exigindo negociação. Ao final do ato, aprovaram uma contraproposta, abrindo mão dos 7% e ajustando para 6,5%, apontando também a necessidade de a prefeitura negociar. Ao fim da mobilização, foi marcada nova concentração para a quarta-feira, 15 de abril, às 9h, em frente à prefeitura.
Novamente a prefeitura se moveu por baixo dos panos e sem se abrir à negociação. Fez novos pedidos à Justiça, que, em resumo, buscavam que a greve fosse considerada ilegal, ampliando a multa sobre o sindicato e a criminalização dos trabalhadores, além de exigir o retorno integral dos serviços. A Justiça negou os pedidos, apontando que qualquer nova movimentação seria analisada na audiência de conciliação na quinta-feira, pelo desembargador, mas esclareceu que a liminar previa 70% de funcionamento em cada unidade e em cada categoria. Ou seja, se em uma unidade de saúde há três agentes comunitários de saúde, nenhum deles poderia paralisar, já que isso representaria 33% dos serviços parados. Na prática, a aplicação dessa regra, considerando o conjunto dos servidores, implicaria uma restrição muito grande ao direito à greve.
Esse esclarecimento, publicado na terça-feira à noite, no entanto, não foi o bastante para desmobilizar significativamente os servidores para o ato de quarta-feira. Novamente havia uma grande mobilização em frente à prefeitura, às 9h, exigindo respeito e diálogo. Diante disso, o prefeito foi obrigado a aparecer e conversar com os servidores, convocando a comissão de negociação para reunião.
A reunião representou pequenos avanços em termos de cláusulas. Não houve proposta de aumento real, apenas a elevação do vale-refeição de 1.260 para 1.320 reais, a manutenção da cesta básica e a inclusão do plano de carreira no acordo coletivo como garantia.
Além disso, porém, houve um elemento decisivo: o direito de reposição dos dias parados e o compromisso de as partes peticionarem em conjunto para retirar a greve da Justiça, uma vez firmado o acordo. Isso significava afastar o risco concreto de a greve ser considerada ilegal. Desde o primeiro dia já havia a orientação de funcionamento mínimo de 70%, posteriormente detalhada como 70% por unidade e por categoria, o que, na prática, tornava muito difícil a adesão plena ao movimento. Ainda assim, houve escolas e unidades que chegaram a paralisar totalmente.
Os servidores fizeram a avaliação entre os ganhos e a desmobilização. Apesar de a mobilização ainda ser significativa, o esfacelamento já se tornava evidente na própria quarta-feira. Alguns ainda tinham disposição, mas a liminar desmobilizou parte da categoria. Se a greve fosse julgada ilegal no dia 16 de abril, os impactos seriam sérios: professores poderiam perder progressão, agentes comunitários e de endemias perderiam incentivo financeiro anual, e servidores em estágio probatório sofreriam descontos e prejuízos na avaliação. Na balança, não estava o que era justo, mas o possível de conquistar com aquele movimento. Por isso, na assembleia da quarta-feira, 15 de abril, às 17h, a proposta da prefeitura foi aprovada e a greve foi encerrada.
Diante desse cenário, o resultado alcançado ganha outro peso. A prefeitura, que até então havia se recusado a negociar e tratava a proposta como definitiva, foi obrigada a mudar de postura. Não obteve êxito em solucionar tudo por mecanismos jurídicos e precisou abrir diálogo, rever pontos da proposta apresentada publicamente como fechada e assumir o desgaste político de três dias de mobilização contínua no centro da cidade. Ao mesmo tempo, o acordo garantiu que os servidores que participaram da greve não fossem penalizados com descontos, preservando condições básicas para a continuidade da mobilização.
Portanto, o resultado também precisa ser compreendido com clareza. Não é o que os servidores merecem, nem o que foi construído como reivindicação inicial. Ainda assim, foi a vitória possível dentro das condições colocadas. Em três dias de greve, com pressão judicial, ameaça de ilegalidade e ausência de negociação por parte da prefeitura, a categoria se manteve mobilizada, ocupou as ruas e sustentou a luta. Houve disposição, coragem e enfrentamento.
Mais do que os pontos concretos do acordo, a greve expôs para a cidade quem é o prefeito e qual tem sido sua postura diante dos servidores, reacendeu a chama da luta dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que recolocou a exigência de reconhecimento e valorização no centro do debate público.
Desvalorização como projeto político (não é má gestão!)
A atual gestão, profundamente ligada aos interesses da direita neoliberal, tentou deslegitimar a greve dos servidores a todo custo, se utilizando da narrativa de uma “greve político-partidária”. Esta postura de combate ao movimento demonstra que trata-se de uma escolha consciente, por parte da gestão, de não valorizar os servidores, de buscar restringir seus direitos e evitar qualquer negociação real. Nesse sentido, não se trata de incapacidade de gestão, mas justamente de um projeto político!
Esse projeto se expressa também na forma como o dinheiro público é utilizado. Enquanto nega aumento real e direitos básicos, a prefeitura chegou a gastar R$ 4.192,81 em um único dia com propaganda contra a greve. Não falta recurso quando o objetivo é desmobilizar a categoria. Falta vontade política quando se trata de valorizar quem sustenta o funcionamento da cidade todos os dias.
Ao mesmo tempo, avança um processo de precarização do serviço público que não é pontual. A falta de insumos, de condições mínimas de trabalho e o descumprimento de acordos não são exceções, são parte de uma lógica. Um servidor desvalorizado trabalha pior, adoece mais e eventualmente até desiste. Isso abre espaço para o próximo passo, que é a substituição do serviço público por alternativas privadas.
Nesse sentido, as iniciativas de terceirização não aparecem por acaso. A discussão sobre a merenda e a inclusão do SAAE em programas como o Universaliza SP apontam para um mesmo caminho. Primeiro, o serviço é enfraquecido. Depois se apresenta a privatização como solução. É um modelo que transfere recursos públicos para a iniciativa privada e reduz o papel do Estado na garantia de direitos básicos.
No fundo o que está em jogo não é apenas uma disputa salarial. É um projeto de cidade. Um projeto que, representado pelo governo Netto Donato, privilegia interesses privados e trata o serviço público como um custo a ser reduzido, e não como um direito a ser garantido. A greve, nesse sentido, não enfrentou apenas uma proposta ruim, mas uma lógica de gestão que precisa ser compreendida e enfrentada coletivamente.
O que fazer daqui para frente ?
Por isso, é dever de todo servidor público que encabeçou a greve seguir mobilizado, defender seu trabalho, defender um serviço público de qualidade para toda a população e continuar exigindo respeito de cabeça erguida. É necessário lutar contra a privatização em cada uma das áreas, se compreender como parte de uma categoria de servidores públicos e não levantar apenas as bandeiras do seu setor.
Os servidores devem se reunir, não para lamentar o que não foi conquistado, mas para apontar novas formas de luta que vão para além da campanha salarial deste ano. É nesse sentido que o espaço do dia 9 de maio de 2026, às 14h, é convocado no salão do Sindspam. A desvalorização não vai acabar sozinha. Mas a greve mostrou uma coisa: quando a categoria se move, o governo treme. E vai continuar assim.

*Lucas Henrique Araújo é formado em Ciências Sociais (UFSCar), militante da Consulta Popular e do Coletivo Zilda Xavier, Agente de Combate às Endemias e, com muito orgulho, Servidor Público do Município de São Carlos.

