Nota da Consulta Popular em solidariedade ao MST, pelos fatos ocorridos a 7 de abril de 2016

A memória popular do estado do Paraná voltou a indignar-se na última quinta-feira, dia 7 de abril de 2016. A data entra para a história de forma trágica, por nela ter ocorrido o brutal assassinato de dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, em município do centro-sul paranaense, Quedas do Iguaçu.
 
O Acampamento Dom Tomás Balduíno, nas imediações do qual o ataque ocorreu, localiza-se em antigas áreas griladas pelo grande capital madeireiro, representado pela empresa de celulose Araupel. As terras foram declaradas públicas pela justiça federal, o que causou a ira da empresa e seus comparsas, que no caso são a repressão pública do estado do Paraná.
 
A ira logo se transformou em ações violentas e inaceitáveis, gerando uma covarde execução de integrantes de movimentos sociais, bem como vários feridos. A versão oficial, acolhida facilmente pela grande mídia empresarial, apresenta um cenário ilógico: a Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel), equipe de polícia militar ostensiva, teria acompanhado uma brigada de incêndio da Araupel para apagar uma queimada nas imediações do Acampamento. Lá, teriam sido surpreendidas por sem-terra armados, que estariam a preparar uma emboscada. Como resultado, dois sem-terra mortos e mais de uma dezena de feridos; nenhum policial nem funcionário da empresa sofreu lesões. Como fica evidente, a versão é insustentável, já que a Rotam não tem esta atribuição e não faz sentido uma emboscada em que os seus responsáveis são alvejados pelas costas.
 
Para piorar, a nota oficial da Polícia Militar comete ato falho e diz que “duas equipes da Polícia Militar do Paraná foram vítimas de uma emboscada” – as duas equipes seriam a Rotam e a brigada da Araupel.
 
Na realidade, a violência do 7 de abril de 2016 decorre de ação planejada, dias antes, pelo alto comando da segurança pública do estado em conjunto com a secretaria da Casa Civil do governador Beto Richa, do PSDB. Valdir Rossoni, o novo secretário da pasta, do mesmo partido de Richa, reuniu-se com os comandos policiais dos quartéis da região e arquitetou o avanço sobre o MST, em defesa escancarada da empresa Araupel.
 
O povo paranaense conhece, há muito, a violência aberta de suas elites políticas e econômicas. Em 2015, o governador Richa (PSDB) ficou nacionalmente conhecido por ter ordenado o massacre de professores em greve, acampados no Centro Cívico, na capital Curitiba.
 
O abominável conflito vitimou mais de 200 docentes da rede estadual de educação e reviveu, terrivelmente, momentos equivalentes da história do estado, ocorridos em 30 de agosto de 1988, quando o então governador Álvaro Dias (então no PMDB, hoje no PV) autorizou que a cavalaria da polícia avançasse sobre a mesma categoria.
 
Não menos conhecida é a história da violência no campo contra trabalhadores rurais, em especial integrantes de movimentos sociais. Durante o governo Jaime Lerner (do antigo PFL, que mudou de sigla para DEM), por exemplo, incontáveis foram os casos de assassinatos de camponeses, como os ocorridos contra Sebastião Camargo Filho, Sétimo Garibaldi, Eduardo Anghinoni e Antônio Tavares.
 
Agora, há 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará e há 1 ano do massacre do Centro Cívico, tombam na luta pela terra Vilmar Bordim e Leonir Orback, lutadores do povo brasileiro. Na verdade, emboscados pela polícia e pelo capital privado, morrem mas deixam seu legado de lutas pela reforma agrária. A militância do Paraná e do Brasil terá em seus nomes a mística para continuar sua batalha.
 
A Consulta Popular do Paraná condena, veementemente, a violência e arbitrariedade imposta contra os dois lutadores do povo, bem como contra todos os demais vitimados, pela nefasta ação da repressão pública do estado em conluio com milícias privadas.
Também, a Consulta Popular se solidariza com o MST e presta sua homenagem a seus militantes, bem como a suas famílias.
 
Entendemos que, em contexto desestabilização institucional, como o que ocorre em nível federal, é tarefa da classe trabalhadora e do povo brasileiro colocar-se firmemente contra o golpismo, que é estimulado por ações de violência, como as ocorridas no Paraná (mas que se repetiram em outros estados, como na Paraíba, em Rondônia e na Bahia), e que são acobertadas pelos setores mais reacionários da burguesia brasileira e da grande mídia empresarial.
 
Junto com o MST entoamos:
 
VILMAR BORDIM, PRESENTE!
LEONIR ORBACK, PRESENTE!
JUSTIÇA E REFORMA AGRÁRIA JÁ!
 
Consulta Popular – Paraná
Curitiba, 8 de abril de 2016.

Nota da Consulta Popular em solidariedade ao MST, pelos fatos ocorridos a 7 de abril de 2016

A memória popular do estado do Paraná voltou a indignar-se na última quinta-feira, dia 7 de abril de 2016. A data entra para a história de forma trágica, por nela ter ocorrido o brutal assassinato de dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, em município do centro-sul paranaense, Quedas do Iguaçu.
 
O Acampamento Dom Tomás Balduíno, nas imediações do qual o ataque ocorreu, localiza-se em antigas áreas griladas pelo grande capital madeireiro, representado pela empresa de celulose Araupel. As terras foram declaradas públicas pela justiça federal, o que causou a ira da empresa e seus comparsas, que no caso são a repressão pública do estado do Paraná.
 
A ira logo se transformou em ações violentas e inaceitáveis, gerando uma covarde execução de integrantes de movimentos sociais, bem como vários feridos. A versão oficial, acolhida facilmente pela grande mídia empresarial, apresenta um cenário ilógico: a Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel), equipe de polícia militar ostensiva, teria acompanhado uma brigada de incêndio da Araupel para apagar uma queimada nas imediações do Acampamento. Lá, teriam sido surpreendidas por sem-terra armados, que estariam a preparar uma emboscada. Como resultado, dois sem-terra mortos e mais de uma dezena de feridos; nenhum policial nem funcionário da empresa sofreu lesões. Como fica evidente, a versão é insustentável, já que a Rotam não tem esta atribuição e não faz sentido uma emboscada em que os seus responsáveis são alvejados pelas costas.
 
Para piorar, a nota oficial da Polícia Militar comete ato falho e diz que “duas equipes da Polícia Militar do Paraná foram vítimas de uma emboscada” – as duas equipes seriam a Rotam e a brigada da Araupel.
 
Na realidade, a violência do 7 de abril de 2016 decorre de ação planejada, dias antes, pelo alto comando da segurança pública do estado em conjunto com a secretaria da Casa Civil do governador Beto Richa, do PSDB. Valdir Rossoni, o novo secretário da pasta, do mesmo partido de Richa, reuniu-se com os comandos policiais dos quartéis da região e arquitetou o avanço sobre o MST, em defesa escancarada da empresa Araupel.
 
O povo paranaense conhece, há muito, a violência aberta de suas elites políticas e econômicas. Em 2015, o governador Richa (PSDB) ficou nacionalmente conhecido por ter ordenado o massacre de professores em greve, acampados no Centro Cívico, na capital Curitiba.
 
O abominável conflito vitimou mais de 200 docentes da rede estadual de educação e reviveu, terrivelmente, momentos equivalentes da história do estado, ocorridos em 30 de agosto de 1988, quando o então governador Álvaro Dias (então no PMDB, hoje no PV) autorizou que a cavalaria da polícia avançasse sobre a mesma categoria.
 
Não menos conhecida é a história da violência no campo contra trabalhadores rurais, em especial integrantes de movimentos sociais. Durante o governo Jaime Lerner (do antigo PFL, que mudou de sigla para DEM), por exemplo, incontáveis foram os casos de assassinatos de camponeses, como os ocorridos contra Sebastião Camargo Filho, Sétimo Garibaldi, Eduardo Anghinoni e Antônio Tavares.
 
Agora, há 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará e há 1 ano do massacre do Centro Cívico, tombam na luta pela terra Vilmar Bordim e Leonir Orback, lutadores do povo brasileiro. Na verdade, emboscados pela polícia e pelo capital privado, morrem mas deixam seu legado de lutas pela reforma agrária. A militância do Paraná e do Brasil terá em seus nomes a mística para continuar sua batalha.
 
A Consulta Popular do Paraná condena, veementemente, a violência e arbitrariedade imposta contra os dois lutadores do povo, bem como contra todos os demais vitimados, pela nefasta ação da repressão pública do estado em conluio com milícias privadas.
Também, a Consulta Popular se solidariza com o MST e presta sua homenagem a seus militantes, bem como a suas famílias.
 
Entendemos que, em contexto desestabilização institucional, como o que ocorre em nível federal, é tarefa da classe trabalhadora e do povo brasileiro colocar-se firmemente contra o golpismo, que é estimulado por ações de violência, como as ocorridas no Paraná (mas que se repetiram em outros estados, como na Paraíba, em Rondônia e na Bahia), e que são acobertadas pelos setores mais reacionários da burguesia brasileira e da grande mídia empresarial.
 
Junto com o MST entoamos:
 
VILMAR BORDIM, PRESENTE!
LEONIR ORBACK, PRESENTE!
JUSTIÇA E REFORMA AGRÁRIA JÁ!
 
Consulta Popular – Paraná
Curitiba, 8 de abril de 2016.

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