Findado o 1° turno das eleições municipais, é preciso que as organizações e forças populares dediquem todos os esforços para que conquistemos vitórias nas disputas ainda em curso no 2° turno.
As eleições de 2020 são a primeira após a vitória de Bolsonaro em 2018, e após a eleição municipal de 2016 sob os efeitos do auge da Lava Jato, responsáveis pela profunda derrota que a esquerda sofreu naquele processo. Aconteceram em meio a um cenário de grave crise internacional e nacional, de construção de uma estabilidade política por parte do governo federal, e de defensiva das forças progressistas. Além da derrota de Donald Trump na eleição dos Estados Unidos e de importantes vitórias da esquerda na América Latina.
Foi um contexto de eleições mais curtas, em meio a uma pandemia e em meio ao isolamento social, ainda que flexibilizado nas últimas semanas, o que dificultou a projeção de novas candidaturas e construção de oposições, ou seja, uma eleição com tendência situacionista. Além da restrição da campanha nas ruas e no corpo a corpo que favorece as forças políticas que contam com a sua militância.
Somam-se a esses elementos as novas regras eleitorais, que dificultaram a construção de candidaturas unitárias, favorecendo a autoconstrução dos partidos a fim de auxiliar as eleições dos vereadores.
As eleições municipais têm uma dinâmica específica. Se é verdade que o seu resultado não é capaz de traduzir o que serão as disputas em 2022, também é verdade que elas cumpram um papel importante no rearranjo político institucional. Além de serem definidoras para que os diversos campos políticos em disputa atualizem as suas análises acerca da situação das forças e de quais as táticas para os próximos períodos.
O desempenho das forças políticas, sobretudo, nas cidades mais populosas, será decisivo no segundo turno. Como o processo eleitoral ainda está em curso é cedo para construir análises conclusivas acerca dos seus resultados. Contudo, alguns elementos são importantes de serem identificados com o objetivo de dar conteúdo a importância da campanha no segundo turno. Dos campos políticos em disputa, a saber, o bolsonarismo, a direita tradicional, a esquerda e o centrão (que pode não ser considerado como um campo político por possuir uma dinâmica específica mais pragmática e fisiológica), até então, com o resultado do 1° turno, os grandes vitoriosos são a direita tradicional e em seguida o centrão. Com destaque para o papel do DEM.
O bolsonarismo não conseguiu repetir a vitória surpreendente da última eleição, na verdade está saindo mais enfraquecido. Das sete capitais que elegeram prefeitos no primeiro turno, os sete candidatos eleitos são da direita tradicional. Destaque para o DEM nesse campo, com perspectiva de mais 11 cidades no segundo turno.
Tampouco a esquerda repetiu as grandes derrotas sofridas em 2016 e 2018, apesar de estar na defensiva e sair com candidaturas fragmentadas. Podemos dizer que o campo progressista não se consolidou como oposição ao bolsonarismo nessas eleições, mas que essas eleições municipais têm efeitos potenciais para a reconfiguração da esquerda institucional no Brasil.
É importante que as forças populares dediquem todos os esforços para tentar consolidar o fortalecimento da esquerda e a desidratação do Bolsonarismo.
Apesar de não termos conseguido nacionalizar e polarizar o processo eleitoral até agora, o segundo turno nos dará uma segunda chance. Em cidades importantes, há possibilidades para tentar avançar na unidade programática no interior do campo da esquerda através de campanhas unitárias, massivas e nacionalizadas. Polarizando com os nossos inimigos a partir do desgaste do Bolsonarismo e do desgaste do programa econômico que unifica esse último com a direita tradicional. De forma que as eleições ajudem na politização da sociedade e, com isso, nos dê melhores condições para tentar incidir no centro da luta política do Brasil, da qual ainda temos um papel secundário.
A campanha para o 2° turno é curta e favorece quem está na situação. As cidades de grande porte e as capitais, com destaque para Guilherme Boulos (Psol) em São Paulo, Manuela d’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre e Edimilson Rodrigues (Psol) em Belém, merecem a nossa atenção. Precisaremos nos dedicar com o máximo de empenho e deslocar militantes para essas cidades. Encerradas as eleições proporcionais, precisaremos disputar para que a força eleitoral dos vereadores se reverta para os candidatos da esquerda para prefeito. Além de disputar as abstenções e parcelas dos eleitores dos outros candidatos que não foram para o segundo turno. As belíssimas experiências pedagógicas de nossas candidaturas nos inspiram sobre as potencialidades que a luta institucional oferece para o acúmulo de forças.
Dediquemo-nos os nossos melhores esforços para que esse processo eleitoral dê os melhores frutos possíveis para o campo da esquerda. Mãos a obras!
Organização Política Consulta Popular
17 de novembro de 2020

