No sábado, dia 5, ocorreram em todo o país atos de indignação contra o assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe e contra o genocídio da população negra.
Em Curitiba, o movimento negro e outras organizações fizeram o ato em frente à igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, símbolo da construção do povo negro, em 1737, e, ao mesmo tempo, denúncia do racismo estrutural na sociedade brasileira, uma vez que a população negra era proibida de frequentar a igreja matriz de Curitiba.
Durante o protesto, entraram no recinto, que, naquele momento, estava vazio, sem impedir a liberdade de culto, mas lembrando a simbologia de estar naquele espaço.
Vereadores de Curitiba têm usado o episódio como pretexto para intensificar a perseguição contra o vereador negro Renato Freitas (PT), buscando a sua cassação, algo que a bancada conservadora e que obedece às ordens de um elitista Rafael Greca (DEM) vem tentando desde o início.
Afinal, o mandato de Renato, ao lado de Carol Dartora (PT), pela primeira vez na História da capital coloca a juventude negra como protagonista, ocupa um espaço institucional historicamente racista e excludente. E, uma vez ali dentro, não se limita ao jogo institucional, uma vez que é referência para os movimentos populares e para a juventude negra e tem caráter de denúncia permanente.
Estamos ombro a ombro com o mandato combativo e mobilizador de Renato, também reafirmamos o reconhecimento à liberdade de culto e à profunda religiosidade de nosso povo.
Porém, não é disso que se trata: é, sim, a tentativa de silenciamento de uma das principais vozes da nova geração que luta por mudanças estruturais em nosso país.
Pátria Livre, Venceremos!
Curitiba, 9 de fevereiro de 2022.

