Nota sobre o dia da Consciência Negra

O dia 20 de novembro é uma data que marca a luta contra o racismo no Brasil

Reconhecida como o dia nacional da consciência negra, ela rememora o dia em que Zumbi dos Palmares foi assassinado pelas forças colonizadoras. Zumbi foi um dos maiores lutadores contra o escravismo e o colonialismo e o principal líder do Quilombo dos Palmares. Desde os anos 70, o movimento negro reinvidica o 20 de novembro como um dia de luta contra o racismo. É um importante momento para relembrar à sociedade brasileira as mazelas estruturais do racismo, mas também de recolocar na agenda um conjunto de medidas antirracistas.

Passaram 328 anos desde a morte de Zumbi. O Estado burguês, nos marcos do capitalismo dependente, continua predendo e assassinando negros e negras em nome da ordem e da reprodução do capital. Mesmo após a redemocratização do Brasil o índice de prisões e assassinatos dos negros e negras no campo e na cidade continuam alto. Com a vitória dos governos neodesenvolvimentistas tivemos acesso a políticas públicas que melhoraram a vida dos trabalhadores negros e negras, no entanto, tais políticas foram insuficientes para enfrentar o racismo que estrutura o capitalismo dependente brasileiro.

O golpe político que depôs a presidenta Dilma Roussef em 2016 mudou a qualidade da luta antirracista. O programa Ponte para o Futuro representado pelo presidente golpista Temer foi a antisala do governo neofascista do Bolsonaro (PL) que foi extremamente prejudicial à classe trabalhadora em particular contra a população negra. Do ponto de vista ideológico, utilizou-se dos aparelhos estatais para apregoar tanto ideologias da democracia racial, como para fazer um revisionismo histórico do papel da monarquia e das classes dominantes brancas na abolição, como se todos os problemas etnico-raciais teriam sido resolvidos com a Lei Áurea. A violência policial contra a população negra aumentou em diversos estados, além da intolerância religiosa e xenofobia contra imigrantes africanos, alimentando o movimento reacionário de massas neofascista com ideias supremacistas.

A vitória de Lula foi essencial para desacelerar o neofascismo e o supremacismo. Todavia, como afirmamos em nossa nota “Uma Luta prolongada contra o fascismo”, a vitória eleitoral não derrotou o movimento neofascista, que irá sempre buscar seu objetivo estratégico de estabelecer uma ditadura. Por outro lado, haverá um governo Lula bastante limitado à agenda neoliberal e com poucas margens para conquistas populares.
A frase “Enquanto houver racismo não haverá democracia” é importante nesse momento, pois nos ajuda a demonstrar a importancia da democracia para a luta antirracista, assim como seus limites atuais para enfrentar a questão. Nesse sentido, os movimentos negros organizados não podem ter dúvidas: devemos apoiar o governo Lula quando suas ações forem de acordo com as necessidades dos trabalhadores negros e negras, no entanto, devemos construir lutas quando as decisões passarem ao largo das nossas necessidades. Somente essa relação de unidade e luta poderá nos fortalecer para o enfrentamento principal contra o bolsonarismo.

20 de novembro de 2022

Nota sobre o dia da Consciência Negra

O dia 20 de novembro é uma data que marca a luta contra o racismo no Brasil

Reconhecida como o dia nacional da consciência negra, ela rememora o dia em que Zumbi dos Palmares foi assassinado pelas forças colonizadoras. Zumbi foi um dos maiores lutadores contra o escravismo e o colonialismo e o principal líder do Quilombo dos Palmares. Desde os anos 70, o movimento negro reinvidica o 20 de novembro como um dia de luta contra o racismo. É um importante momento para relembrar à sociedade brasileira as mazelas estruturais do racismo, mas também de recolocar na agenda um conjunto de medidas antirracistas.

Passaram 328 anos desde a morte de Zumbi. O Estado burguês, nos marcos do capitalismo dependente, continua predendo e assassinando negros e negras em nome da ordem e da reprodução do capital. Mesmo após a redemocratização do Brasil o índice de prisões e assassinatos dos negros e negras no campo e na cidade continuam alto. Com a vitória dos governos neodesenvolvimentistas tivemos acesso a políticas públicas que melhoraram a vida dos trabalhadores negros e negras, no entanto, tais políticas foram insuficientes para enfrentar o racismo que estrutura o capitalismo dependente brasileiro.

O golpe político que depôs a presidenta Dilma Roussef em 2016 mudou a qualidade da luta antirracista. O programa Ponte para o Futuro representado pelo presidente golpista Temer foi a antisala do governo neofascista do Bolsonaro (PL) que foi extremamente prejudicial à classe trabalhadora em particular contra a população negra. Do ponto de vista ideológico, utilizou-se dos aparelhos estatais para apregoar tanto ideologias da democracia racial, como para fazer um revisionismo histórico do papel da monarquia e das classes dominantes brancas na abolição, como se todos os problemas etnico-raciais teriam sido resolvidos com a Lei Áurea. A violência policial contra a população negra aumentou em diversos estados, além da intolerância religiosa e xenofobia contra imigrantes africanos, alimentando o movimento reacionário de massas neofascista com ideias supremacistas.

A vitória de Lula foi essencial para desacelerar o neofascismo e o supremacismo. Todavia, como afirmamos em nossa nota “Uma Luta prolongada contra o fascismo”, a vitória eleitoral não derrotou o movimento neofascista, que irá sempre buscar seu objetivo estratégico de estabelecer uma ditadura. Por outro lado, haverá um governo Lula bastante limitado à agenda neoliberal e com poucas margens para conquistas populares.
A frase “Enquanto houver racismo não haverá democracia” é importante nesse momento, pois nos ajuda a demonstrar a importancia da democracia para a luta antirracista, assim como seus limites atuais para enfrentar a questão. Nesse sentido, os movimentos negros organizados não podem ter dúvidas: devemos apoiar o governo Lula quando suas ações forem de acordo com as necessidades dos trabalhadores negros e negras, no entanto, devemos construir lutas quando as decisões passarem ao largo das nossas necessidades. Somente essa relação de unidade e luta poderá nos fortalecer para o enfrentamento principal contra o bolsonarismo.

20 de novembro de 2022

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