Nota dos(as) educadores(as) do projeto popular Consulta Popular
Nos últimos dois dias o povo brasileiro se deparou com a trágica notícia de mais um ataque dentro de uma escola. O ataque terminou com a morte de dois jovens estudantes da escola estadual Professora Helena Kolody, que fica localizada em Cambé, no norte do Paraná.
Este já é o sétimo ataque registrado no Brasil às instituições de educação, recorde de casos num mesmo ano, representando, em apenas seis meses, mais casos do que o ano inteiro de 2022.
Segundo levantamento do Instituto Sou da Paz, em 20 anos (2002 e 2022) aconteceram 18 ataques de alunos ou ex-alunos em escolas, porém a partir de 2019 começou a tendência de alta dos ataques, mesmo ano em que iniciou a flexibilização do acesso às armas promovida pelo governo neofascista de Bolsonaro.
Entendemos que este caso ocorrido em Cambé se estrutura no avanço do neofascismo na sociedade brasileira. Entre janeiro de 2019 e maio de 2021, as células nazifascistas cresceram 270,6% no Brasil e se espalharam por todas as regiões do país, impulsionadas pelos discursos de ódio e extremistas contra mulheres, negras e negros, LGBT’s, a esquerda e a população mais pobre.
Esses números representam pelo menos 530 núcleos declaradamente nazifascistas, que podem conter cerca de 10 mil pessoas ativas, apontou um estudo feito pela antropóloga Adriana Dias, falecida no início deste ano, números que expressam a impunidade às organizações e células nazifascistas.
Além disso, a facilitação do acesso às armas como, por exemplo, permissão de adolescentes (a partir de 14 anos) a clubes de tiro quando acompanhados de um responsável, só piora o quadro. Isso ocorre porque o discurso de ódio do neofascismo bolsonarista instalado no Brasil incentiva a ocorrência desses casos de violência.
Neste sentido é necessário pautarmos a punição aos crimes do neofascismo no Brasil – incluindo, sobretudo, os crimes do governo Bolsonaro e do movimento bolsonarista – como também o combate às células nazifascistas.
Assim como punir todo o discurso de ódio e intolerância difundidos na internet, incluindo representantes do neofascismo que ainda hoje ocupam cargos públicos e, em muitos casos, sem nunca terem respondido por seus discursos e ações de caráter neofascista.
Toda nossa solidariedade às vítimas, às famílias e toda a comunidade escolar do Colégio Estadual Professora Helena Kolody de Cambé Paraná.
21 de junho de 2023

