O principal problema do povo brasileiro em sua diversidade é a concentração dos principais recursos da sociedade nas mãos de poucos. A terra está em poucas mãos, na cidade não tem lugar para os trabalhadores e trabalhadoras que tem de pular de aluguel em aluguel cada vez mais caro para sobreviver. Os bens naturais como os minérios são controlados por multinacionais estrangeiras, o acesso à saúde não é oferecido mais que o básico porque as empresas pressionam para controlar cada vez mais o oferecimento dos serviços. A educação básica gratuita é precária e o ensino superior impõe uma concorrência dolorida pela vaga no vestibular. A solução para esses problemas exige a democratização radical de todas essas áreas da sociedade, por isso, precisamos de um projeto radicalmente democrático.
Por outro lado, pela conformação diversa de nosso povo, constitui-se a classe trabalhadora em variados grupos e frações. Todas essas classes populares possuem demandas que vão desde moradia, saúde, educação, assistência, segurança, segurança alimentar, além de as mulheres, o povo negro, povos tradicionais e a população LGBTQIAPN+ possuírem demandas específicas que exigem o alargamento de uma estratégia de transformação do país. Por essa razão, precisamos de um Projeto Popular, que reúna o conjunto das classes populares na luta para levar a frente seu projeto de democratização radical da sociedade brasileira.
Há, porém, um problema inevitável. Todas essas áreas da sociedade são hoje controladas ou organizadas segundo os interesses de grupos capitalistas, brasileiros ou estrangeiros, que exploram a terra, o solo urbano e rural, a saúde, a educação, a segurança, o orçamento público, pela lógica do lucro. Esses grupos dominam essas áreas através do Estado, que regula o direito de propriedade da terra e do solo urbano e rural, define o orçamento e o oferecimento dos serviços de saúde, de educação, segurança, assistência social, dentre outros.
Para realizar as tarefas Democráticas e Populares, a classe trabalhadora tem de se chocar necessariamente com os interesses desses grupos e com o seu poder exercido através do Estado.
Portanto, não é possível levar a frente um projeto de mudanças efetivas na realidade Brasileira sem que o povo controle o poder político concentrado no Estado e reorganize a sociedade segundo seus interesses, democratizando as principais áreas e recursos. Isso só é possível através da luta e da mobilização popular.
Portanto, a Consulta Popular compreende que a missão histórica que lhe cabe para junto ao povo avançar na construção de um Projeto Democrático Popular é organização da classe trabalhadora, a formação política de lutadoras e lutadores e a promoção de lutas capazes de, no médio e longo prazo, colocar em movimento o projeto de mudanças das classes populares. A nossa posição nas eleições compreende, pois, o processo eleitoral como um momento importante, porém, subordinado ao nosso objetivo estratégico e as tarefas que dele decorrem.
Nessa conjuntura em particular, o povo possui dois problemas principais. O primeiro é o neofascismo, esse movimento que mobiliza principalmente a alta classe média em torno da liderança de Bolsonaro e visa implementar uma ditadura fascista no país. O segundo é o neoliberalismo, cujo programa econômico e social visa desregulamentar o mercado de trabalho e aprofundar a exploração dos trabalhadores, a retirada de direitos, mudando o sentido do orçamento público para beneficiar os ricos, a privatização dos setores mais lucrativos das sociedades e as empresas estatais que controlam esses recursos e a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro. Nesse momento, portanto, a principal tarefa dos trabalhadores e trabalhadoras é derrotar o neofascismo enquanto inimigo perigoso do povo brasileiro; e derrotar o neoliberalismo e seu programa econômico.
As candidaturas para as eleições municipais de Guanambi não estão desligadas desse quadro histórico do país, nem da conjuntura nacional. A candidatura de Nal Azevedo, assumindo a liderança dos diversos setores que antes já compunham o governo de Nilo Coelho, envolve empresários dos serviços e comércio local, do agronegócio e parte das classes médias, atraindo de maneira populista setores das classes populares para apoio a seu governo. É um grupo majoritariamente conformado por setores que não tem compromisso em mudar a estrutura de concentração de renda, de recursos e de poder da sociedade brasileira, e parte deles são beneficiados pelo programa neoliberal, que tira dos pobres e dá para os ricos. Não é à toa que entre os representantes desse grupo em nível federal está Arthur Maia, que votou na reforma da previdência, na reforma trabalhista, no teto de gastos e em todas as demais reformas neoliberais que só prejudicou a classe trabalhadora brasileira.
É nesse grupo também que se aglutina a base do neofascismo bolsonarista em Guanambi, que acaba envolvendo a região. Desde empresários que até mesmo financiaram e viabilizaram saída de ônibus de Guanambi para a tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023 em Brasília, até pequenos empresários e comerciantes e setores de classe média apoiadora do Bolsonarismo.
Portanto, a candidatura de Nal Azevedo reúne e representa, no final das contas, esses grupos e interesses, sem nenhum compromisso com a mudança estrutural da realidade guanambiense em particular e brasileira, de modo geral, além de se apoiar no neoliberalismo enquanto programa econômico e reunir entre sua base os bolsonaristas.
A candidatura de Dr. Ruy, por sua vez, ainda que possua o limite de não ser resultado de um amplo e profundo trabalho popular, nem ter seu programa elaborado a partir da efetiva participação das classes populares, apresenta o compromisso com a mudança da sociedade brasileira, com o projeto de democratização da riqueza, da terra, dos recursos naturais e do poder, bem como apresenta o compromisso com a derrota do neofascismo, além de marcar posição contra as medidas neoliberais que retiram direitos, aprofundam a pobreza e dificulta a organização e a luta das classes trabalhadoras. O que historicamente, tem sido demonstrado na trajetória de vida de Dr Ruy, militante, representante dos ideais de esquerda desde muito jovem.
Diante desse cenário das eleições em Guanambi, considerando a centralidade de avançar no isolamento e enfraquecimento do neofascismo para derrotá-lo, considerando a necessidade de romper com o neoliberalismo e avançar na luta pelo Projeto Democrático Popular, manifestamos nosso apoio à candidatura de Dr. Ruy Azevedo 13 para prefeitura de Guanambi – BA.
Quanto às candidaturas a vereador e vereadora, há na chapa de Dr. Ruy, sobretudo entre os nomes do PT, do PC do B e do PSB, vários nomes comprometidos e historicamente envolvidos na luta popular. Mas, pelo histórico de contribuição e participação na luta, pelo período de atuação na câmara e pela relação que já vem sendo construída com a nossa organização, a Consulta Popular manifesta apoio e orienta o voto em Paulo Costa 65121.
Por fim, nosso envolvimento na campanha respeitará a prioridade do trabalho político e organizativo que estamos desenvolvendo junto ao povo, seja nas comunidades impactadas pela mineração organizadas no Movimento pela Soberania Popular na Mineração, seja nas experiências de mobilização e organização na cidade, seja a formação política de nossa militância.
24 de setembro de 2024

