A SAÍDA É A ORGANIZAÇÃO POPULAR: nota oficial de saída do Levante Popular da Juventude de Sergipe

O leito histórico do Levante Popular da Juventude no estado de Sergipe parte de um acúmulo de lutas sustentadas em nossa prática: organização, formação política e luta. Prática essa que nos orienta na construção do movimento estudantil. Foi nesse processo que conseguimos identificar princípios e ideias centrais para o avanço de um Projeto Popular. Projeto verdadeiramente cravado na realidade da juventude brasileira e sergipana. Os compromissos que assumimos enquanto organização se expressam em nossa adesão a um projeto revolucionário, vinculado à construção do socialismo como alternativa histórica ao sistema capitalista.

É nítida essa postura ao nos localizar onde estamos nos últimos 13 anos:

  • 1) Construímos a Frente Brasil Popular e estivemos ativamente construindo a luta contra o Golpe de 2016, além de termos construído nas portas das garagens e do comércio as greves contra a Reforma Trabalhista e Previdenciária. Além da campanha do Veto Popular pela derrubada do aumento da passagem de ônibus em 2015;
  • 2) Estivemos na linha de frente na luta por educação, desde as ocupações nas escolas secundaristas, sobretudo na luta pela expansão e melhoria da única Universidade Pública do nosso estado, com conquistas concretas como a criação do Campus Sertão e implementação dos restaurantes universitários em todos os campi. Perpassando pela luta contra intervenção na UFS e a recente retomada de uma gestão da reitoria democraticamente eleita;
  • 3) Na luta em defesa da educação pública, na denúncia ao arcabouço fiscal e a entrada do capital privado na formulação do “novo ensino médio”, na luta em defesa do magistério do estado de Sergipe e nas ocupações nas escolas e secretarias de educação;
  • 4) Nas ocupações de terras junto aos movimentos populares camponeses e de moradia, na luta pela Reforma Agrária e pelo fim da especulação imobiliária;
  • 5) Nos inúmeros escrachos aos golpistas e neoliberais do nosso país e do nosso estado como foi a Jair Bolsonaro, Carlos Pinheiro, Jouberto Uchôa, Fábio Mitidieri, Padre Inaldo, André Moura, Valadares Filho, João Alves;
  • 6) Na luta pela soberania do nosso país e contra o imperialismo estadunidense, pela soberania alimentar e energética do Brasil. Em especial contra a privatização da Petrobras, Eletrobras e mais recentemente da DESO/SE;
  • 7) Construímos historicamente as jornadas de luta das mulheres, assim como o circuito da Parada LGBT+ estadual, consagrando a nossa participação no Conselho Estadual de Políticas LGBT+ recentemente fundado;
  • 8) Construímos ativamente a luta contra a violência policial nas periferias, contra o genocídio da população negra, assim como enfrentamos diretamente as violências racistas perpetradas nas salas de aula e corredores da Universidade Federal de Sergipe;
  • 9) Rechaço total ao PL do estupro 1.904/2024 e na denúncia a Artur Lira e ao deputado sergipano Rodrigo Valadares, pelo direito reprodutivo e pela vida das mulheres e pessoas que gestam;
  • 10) A defesa da política de cotas e a luta por sua ampliação para outros grupos marginalizados pelo capitalismo, como pessoas trans e travestis;

É a partir de toda a experiência acumulada em anos de luta, enfrentamentos e construção coletiva que afirmamos que já não nos reconhecemos no caminho que o Levante Popular da Juventude vem trilhando no cenário nacional. A organização, que em outros momentos foi referência direta com as lutas populares, hoje se encontra profundamente em uma guinada reformista, priorizando e apostando suas fichas no apoio acrítico ao governo Lula. Essa guinada foi o fator determinante que ocasionou a separação do Levante Popular da Juventude de seu partido fundador, a Consulta Popular. Esse racha culminou na apropriação do Levante por parte de outro movimento reformista, o Movimento Brasil Popular, que faz parte de uma ideologia reformista e cuja principal marca se reflete num apoio acrítico ao governo Lula.

O acirramento mundial da luta de classes já demonstra diversos efeitos concretos: a) Ascensão de movimentos neofascistas em especial no Brasil, Estados Unidos, Continente Europeu e na Argentina; b) Fim da hegemonia do imperialismo Norte Americano; c) Escalada dos conflitos militares, no Oriente Médio e Leste Europeu, com o aumento de risco de uma guerra mundial; d) Crise da democracia burguesa; e) Avanço das políticas neoliberais e aumento da exploração capitalista sobre a classe trabalhadora. Na América Latina, o imperialismo iniciou uma campanha de cerco aos governos populares e progressistas eleitos na última década, culminando com golpes no Brasil, Bolívia, Equador, Honduras, Peru, Paraguai, além dos assédios a revolução bolivariana e cubana.

No atual período de sucessivas derrotas para a classe trabalhadora e ascensão do movimento neofascista, é natural que a ideologia burguesa penetre nas massas e nas suas organizações. Essa adesão ao reformismo se torna palatável, pois no plano imediato é mais palpável a conquista de melhorias e conquistas parciais sustentadas em políticas públicas, do que a tomada do poder ou a transformação estrutural da sociedade brasileira.

Essa adesão ao reformismo, em que pese se tornar sedutora, visto que que no plano imediato acarreta na centralidade de conquistas econômicas concretas, acaba por subordinar a classe trabalhadora ao imobilismo e a lógica de disputa dentro dos limites da democracia burguesa, defendemos as conquistas e melhorias da vida do nosso povo nos últimos governos de esquerda, contudo, defendemos que essas conquistas acumulem para a tomada revolucionária do poder pelo povo brasileiro, fomentando e se subordinando à luta e à organização popular, uma vez que conquistas baseadas meramente na disputa institucional não garantem permanência de tais melhorias frente inevitável reação burguesa e aos golpes de estado.

Entendemos que a revolução brasileira é uma tarefa de milhões, que envolve as amplas massas da classe trabalhadora. Sendo também uma tarefa das mais diversas organizações em unidade. O nosso papel é contribuir para que os estudantes estejam engajados e acumulem experiência para que a juventude brasileira construa ativamente um novo período de ascensão de lutas em unidade com as demais organizações da classe trabalhadora.

O reformismo não tem futuro histórico, desarma as organizações do povo ao render as suas atuações no plano de disputas dentro do sistema capitalista. Essa opção política, ao invés de fortalecer a organização popular nas bases, tem afastado o movimento de sua essência original. O compromisso com a transformação revolucionária da sociedade cedeu lugar a uma lógica de conciliação e à adaptação aos limites do sistema, o que, na prática, enfraquece a capacidade de mobilização e autonomia da juventude da classe trabalhadora. Com isso, um dos pilares mais importantes de sua construção – a centralidade da organização popular como motor da transformação social – foi sendo deixado de lado. E, sem esse pilar, que é a espinha dorsal de qualquer projeto que pretende ser popular e revolucionário, o movimento perde sua força, sua identidade e sua razão de ser.

Infelizmente, a história dos movimentos e organizações populares nos mostra que em momentos de crise e acirramento da luta de classes acontecem fragmentações das organizações da esquerda revolucionária e migração de quadros para o espectro do reformismo. A história também nos ensina que esses movimentos ao reformismo são executados de forma vertical, sufocando o livre debate e a democracia interna das organizações. Lamentavelmente, isso também ocorreu no Levante Popular da Juventude nos últimos anos, o que, junto à perda de horizonte revolucionário, impossibilitou nossa participação na construção do movimento.

Nossa divergência é tática e estratégica! Com partida de uma análise crítica e concreta da realidade brasileira, entendendo nosso país como uma formação social marcada por contradições estruturais. Vivemos em uma sociedade capitalista dependente, cuja lógica é marcada fortemente por interesses do capital internacional e que carrega, até os dias de hoje, um passado de dominação patriarcal e de escravidão colonial. Essa herança histórica não apenas molda as estruturas sociais e econômicas do Brasil, mas também impõe obstáculos que precisam ser superados por meio da luta organizada e consciente do povo.

Diante do avanço do neofascismo na conquista e disputa de consciência do nosso povo, o principal pilar de qualquer movimento social e popular é o enfrentamento direto ao movimento neofascista no bojo da classe trabalhadora – e isso só é possível através da luta e organização do povo brasileiro. A única saída para a juventude e para o povo brasileiro é a organização popular!

É nesse sentido que nasce o Movimento Viramundo – Juventude do Projeto Popular, cujo nome traduz a necessidade de avançar rumo a uma nova sociedade, que seja alcançada pelo ímpeto revolucionário das classes populares organizadas e que tenha um projeto popular para Sergipe e para o Brasil. Um projeto que seja construído no seio do povo, assim, enraizado nas lutas concretas das classes populares, mas que tenha como horizonte a revolução brasileira, com a tomada revolucionária do poder de estado.

A virada de nosso Estado, país e mundo para um novo modelo de sociedade, em que seja extinta a exploração capitalista do ser-humano sobre o ser-humano é um processo longo e construído a partir da organização e fortalecimento dos movimentos sociais. O Viramundo, enquanto movimento social da juventude brasileira, tem por princípio atuar nas diversas lutas que afligem o cotidiano de nossa população, fortalecendo a capacidade da juventude de lutar por seus direitos através de sua organização e mobilização.

O papel do movimento social é direcionar a efervescência das reivindicações populares de modo organizado a fim de que a classe oprimida tome o poder da classe opressora. Virar o mundo, virar a correlação de forças na nossa sociedade, virar a relação de oprimidos e opressores, virar a relação entre explorados e exploradores, virar a relação entre a juventude e aqueles que querem limitar suas condições de vida e suas expressões, virar o mundo!

Em que pese as forças de esquerda estarem perdendo sua adesão às bases e o campo reformista ter se consolidado como principal campo da esquerda na conjuntura atual, o Viramundo surge na contramão dessa perspectiva, buscando retomar um movimento que seja, essencialmente, parte do povo e que tenha a organização popular como estratégia!

Portanto, é compromisso desse movimento compor as lutas concretas demandadas na juventude brasileira como:

  • 1) A luta pelos reformas estruturantes: reforma universitária, urbana, agrária, nacionalização dos bancos e da exploração das riquezas naturais;
  • 2) Fim do monopólio, democratização e regulação da mídia;
  • 3) Revogação das reformas neoliberais como: trabalhista, previdenciária, autonomia do banco central, teto de gastos, arcabouço fiscal e a lei de responsabilidade fiscal;
  • 4) A luta por uma educação pública, gratuita e popular;
  • 5) Fim da jornada 6X1;
  • 6) Combate às opressões de gênero, raciais, capacitistas e de sexualidade;
  • 7) Combate ao neofacismo e suas expressões conservadoras, além da punição dos seus crimes cometidos;
  • 8) A luta por direitos essenciais aos jovens como o transporte, a moradia e a alimentação dignas;
  • 9) Luta pelo direito à produção e ao acesso à cultura popular por parte da classe trabalhadora.

Entre outras lutas que retornarão e que irão surgir nessa longa estrada que é a construção de força social do Projeto Popular para o Brasil. Observamos que lutar e organizar não são apenas palavras, mas sim as principais ações que um movimento social deve ter para virar a sociedade em torno da emancipação do povo brasileiro.

JUVENTUDE QUE OUSA LUTAR, CONSTRÓI O PODER POPULAR!
VIRAMUNDO, JUVENTUDE DO PROJETO POPULAR!

Movimento Viramundo – Juventude do Projeto Popular, 06 de maio de 2025.

A SAÍDA É A ORGANIZAÇÃO POPULAR: nota oficial de saída do Levante Popular da Juventude de Sergipe

O leito histórico do Levante Popular da Juventude no estado de Sergipe parte de um acúmulo de lutas sustentadas em nossa prática: organização, formação política e luta. Prática essa que nos orienta na construção do movimento estudantil. Foi nesse processo que conseguimos identificar princípios e ideias centrais para o avanço de um Projeto Popular. Projeto verdadeiramente cravado na realidade da juventude brasileira e sergipana. Os compromissos que assumimos enquanto organização se expressam em nossa adesão a um projeto revolucionário, vinculado à construção do socialismo como alternativa histórica ao sistema capitalista.

É nítida essa postura ao nos localizar onde estamos nos últimos 13 anos:

  • 1) Construímos a Frente Brasil Popular e estivemos ativamente construindo a luta contra o Golpe de 2016, além de termos construído nas portas das garagens e do comércio as greves contra a Reforma Trabalhista e Previdenciária. Além da campanha do Veto Popular pela derrubada do aumento da passagem de ônibus em 2015;
  • 2) Estivemos na linha de frente na luta por educação, desde as ocupações nas escolas secundaristas, sobretudo na luta pela expansão e melhoria da única Universidade Pública do nosso estado, com conquistas concretas como a criação do Campus Sertão e implementação dos restaurantes universitários em todos os campi. Perpassando pela luta contra intervenção na UFS e a recente retomada de uma gestão da reitoria democraticamente eleita;
  • 3) Na luta em defesa da educação pública, na denúncia ao arcabouço fiscal e a entrada do capital privado na formulação do “novo ensino médio”, na luta em defesa do magistério do estado de Sergipe e nas ocupações nas escolas e secretarias de educação;
  • 4) Nas ocupações de terras junto aos movimentos populares camponeses e de moradia, na luta pela Reforma Agrária e pelo fim da especulação imobiliária;
  • 5) Nos inúmeros escrachos aos golpistas e neoliberais do nosso país e do nosso estado como foi a Jair Bolsonaro, Carlos Pinheiro, Jouberto Uchôa, Fábio Mitidieri, Padre Inaldo, André Moura, Valadares Filho, João Alves;
  • 6) Na luta pela soberania do nosso país e contra o imperialismo estadunidense, pela soberania alimentar e energética do Brasil. Em especial contra a privatização da Petrobras, Eletrobras e mais recentemente da DESO/SE;
  • 7) Construímos historicamente as jornadas de luta das mulheres, assim como o circuito da Parada LGBT+ estadual, consagrando a nossa participação no Conselho Estadual de Políticas LGBT+ recentemente fundado;
  • 8) Construímos ativamente a luta contra a violência policial nas periferias, contra o genocídio da população negra, assim como enfrentamos diretamente as violências racistas perpetradas nas salas de aula e corredores da Universidade Federal de Sergipe;
  • 9) Rechaço total ao PL do estupro 1.904/2024 e na denúncia a Artur Lira e ao deputado sergipano Rodrigo Valadares, pelo direito reprodutivo e pela vida das mulheres e pessoas que gestam;
  • 10) A defesa da política de cotas e a luta por sua ampliação para outros grupos marginalizados pelo capitalismo, como pessoas trans e travestis;

É a partir de toda a experiência acumulada em anos de luta, enfrentamentos e construção coletiva que afirmamos que já não nos reconhecemos no caminho que o Levante Popular da Juventude vem trilhando no cenário nacional. A organização, que em outros momentos foi referência direta com as lutas populares, hoje se encontra profundamente em uma guinada reformista, priorizando e apostando suas fichas no apoio acrítico ao governo Lula. Essa guinada foi o fator determinante que ocasionou a separação do Levante Popular da Juventude de seu partido fundador, a Consulta Popular. Esse racha culminou na apropriação do Levante por parte de outro movimento reformista, o Movimento Brasil Popular, que faz parte de uma ideologia reformista e cuja principal marca se reflete num apoio acrítico ao governo Lula.

O acirramento mundial da luta de classes já demonstra diversos efeitos concretos: a) Ascensão de movimentos neofascistas em especial no Brasil, Estados Unidos, Continente Europeu e na Argentina; b) Fim da hegemonia do imperialismo Norte Americano; c) Escalada dos conflitos militares, no Oriente Médio e Leste Europeu, com o aumento de risco de uma guerra mundial; d) Crise da democracia burguesa; e) Avanço das políticas neoliberais e aumento da exploração capitalista sobre a classe trabalhadora. Na América Latina, o imperialismo iniciou uma campanha de cerco aos governos populares e progressistas eleitos na última década, culminando com golpes no Brasil, Bolívia, Equador, Honduras, Peru, Paraguai, além dos assédios a revolução bolivariana e cubana.

No atual período de sucessivas derrotas para a classe trabalhadora e ascensão do movimento neofascista, é natural que a ideologia burguesa penetre nas massas e nas suas organizações. Essa adesão ao reformismo se torna palatável, pois no plano imediato é mais palpável a conquista de melhorias e conquistas parciais sustentadas em políticas públicas, do que a tomada do poder ou a transformação estrutural da sociedade brasileira.

Essa adesão ao reformismo, em que pese se tornar sedutora, visto que que no plano imediato acarreta na centralidade de conquistas econômicas concretas, acaba por subordinar a classe trabalhadora ao imobilismo e a lógica de disputa dentro dos limites da democracia burguesa, defendemos as conquistas e melhorias da vida do nosso povo nos últimos governos de esquerda, contudo, defendemos que essas conquistas acumulem para a tomada revolucionária do poder pelo povo brasileiro, fomentando e se subordinando à luta e à organização popular, uma vez que conquistas baseadas meramente na disputa institucional não garantem permanência de tais melhorias frente inevitável reação burguesa e aos golpes de estado.

Entendemos que a revolução brasileira é uma tarefa de milhões, que envolve as amplas massas da classe trabalhadora. Sendo também uma tarefa das mais diversas organizações em unidade. O nosso papel é contribuir para que os estudantes estejam engajados e acumulem experiência para que a juventude brasileira construa ativamente um novo período de ascensão de lutas em unidade com as demais organizações da classe trabalhadora.

O reformismo não tem futuro histórico, desarma as organizações do povo ao render as suas atuações no plano de disputas dentro do sistema capitalista. Essa opção política, ao invés de fortalecer a organização popular nas bases, tem afastado o movimento de sua essência original. O compromisso com a transformação revolucionária da sociedade cedeu lugar a uma lógica de conciliação e à adaptação aos limites do sistema, o que, na prática, enfraquece a capacidade de mobilização e autonomia da juventude da classe trabalhadora. Com isso, um dos pilares mais importantes de sua construção – a centralidade da organização popular como motor da transformação social – foi sendo deixado de lado. E, sem esse pilar, que é a espinha dorsal de qualquer projeto que pretende ser popular e revolucionário, o movimento perde sua força, sua identidade e sua razão de ser.

Infelizmente, a história dos movimentos e organizações populares nos mostra que em momentos de crise e acirramento da luta de classes acontecem fragmentações das organizações da esquerda revolucionária e migração de quadros para o espectro do reformismo. A história também nos ensina que esses movimentos ao reformismo são executados de forma vertical, sufocando o livre debate e a democracia interna das organizações. Lamentavelmente, isso também ocorreu no Levante Popular da Juventude nos últimos anos, o que, junto à perda de horizonte revolucionário, impossibilitou nossa participação na construção do movimento.

Nossa divergência é tática e estratégica! Com partida de uma análise crítica e concreta da realidade brasileira, entendendo nosso país como uma formação social marcada por contradições estruturais. Vivemos em uma sociedade capitalista dependente, cuja lógica é marcada fortemente por interesses do capital internacional e que carrega, até os dias de hoje, um passado de dominação patriarcal e de escravidão colonial. Essa herança histórica não apenas molda as estruturas sociais e econômicas do Brasil, mas também impõe obstáculos que precisam ser superados por meio da luta organizada e consciente do povo.

Diante do avanço do neofascismo na conquista e disputa de consciência do nosso povo, o principal pilar de qualquer movimento social e popular é o enfrentamento direto ao movimento neofascista no bojo da classe trabalhadora – e isso só é possível através da luta e organização do povo brasileiro. A única saída para a juventude e para o povo brasileiro é a organização popular!

É nesse sentido que nasce o Movimento Viramundo – Juventude do Projeto Popular, cujo nome traduz a necessidade de avançar rumo a uma nova sociedade, que seja alcançada pelo ímpeto revolucionário das classes populares organizadas e que tenha um projeto popular para Sergipe e para o Brasil. Um projeto que seja construído no seio do povo, assim, enraizado nas lutas concretas das classes populares, mas que tenha como horizonte a revolução brasileira, com a tomada revolucionária do poder de estado.

A virada de nosso Estado, país e mundo para um novo modelo de sociedade, em que seja extinta a exploração capitalista do ser-humano sobre o ser-humano é um processo longo e construído a partir da organização e fortalecimento dos movimentos sociais. O Viramundo, enquanto movimento social da juventude brasileira, tem por princípio atuar nas diversas lutas que afligem o cotidiano de nossa população, fortalecendo a capacidade da juventude de lutar por seus direitos através de sua organização e mobilização.

O papel do movimento social é direcionar a efervescência das reivindicações populares de modo organizado a fim de que a classe oprimida tome o poder da classe opressora. Virar o mundo, virar a correlação de forças na nossa sociedade, virar a relação de oprimidos e opressores, virar a relação entre explorados e exploradores, virar a relação entre a juventude e aqueles que querem limitar suas condições de vida e suas expressões, virar o mundo!

Em que pese as forças de esquerda estarem perdendo sua adesão às bases e o campo reformista ter se consolidado como principal campo da esquerda na conjuntura atual, o Viramundo surge na contramão dessa perspectiva, buscando retomar um movimento que seja, essencialmente, parte do povo e que tenha a organização popular como estratégia!

Portanto, é compromisso desse movimento compor as lutas concretas demandadas na juventude brasileira como:

  • 1) A luta pelos reformas estruturantes: reforma universitária, urbana, agrária, nacionalização dos bancos e da exploração das riquezas naturais;
  • 2) Fim do monopólio, democratização e regulação da mídia;
  • 3) Revogação das reformas neoliberais como: trabalhista, previdenciária, autonomia do banco central, teto de gastos, arcabouço fiscal e a lei de responsabilidade fiscal;
  • 4) A luta por uma educação pública, gratuita e popular;
  • 5) Fim da jornada 6X1;
  • 6) Combate às opressões de gênero, raciais, capacitistas e de sexualidade;
  • 7) Combate ao neofacismo e suas expressões conservadoras, além da punição dos seus crimes cometidos;
  • 8) A luta por direitos essenciais aos jovens como o transporte, a moradia e a alimentação dignas;
  • 9) Luta pelo direito à produção e ao acesso à cultura popular por parte da classe trabalhadora.

Entre outras lutas que retornarão e que irão surgir nessa longa estrada que é a construção de força social do Projeto Popular para o Brasil. Observamos que lutar e organizar não são apenas palavras, mas sim as principais ações que um movimento social deve ter para virar a sociedade em torno da emancipação do povo brasileiro.

JUVENTUDE QUE OUSA LUTAR, CONSTRÓI O PODER POPULAR!
VIRAMUNDO, JUVENTUDE DO PROJETO POPULAR!

Movimento Viramundo – Juventude do Projeto Popular, 06 de maio de 2025.

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