Por Pedro Carrano*
Na imagem popular, recentemente o governo Lula, acuado e apanhando por vários lados, saiu das cordas e passou à contraofensiva, devido à pressão da sociedade civil, contra um Congresso chantagista e ligado às diferentes frações da burguesia brasileira – e de costas pro povo.
Esse fator confirma a crítica histórica e apontamento de várias organizações populares – cito entre as quais a Consulta Popular -, de que é necessário ao governo recorrer à politização, eleger uma agenda e pautas de enfrentamento, polarizando e trazendo parte da opinião pública, dos trabalhadores e dos setores médios para o seu lado.
Mesmo quando teve bons momentos econômicos (caso de 2010), a opção do governo Lula historicamente é a de não gerar enfrentamento. O que agora, diante do neofascismo e das frações neoliberais, no contexto de um conflito distributivo, vinha se revelando tática cada vez mais limitada no governo Lula 3.
Amenizar ou tentar não “cutucar a onça” não implica necessariamente resultados. Em 2015, as frações neoliberais, o imperialismo, sobretudo, e a classe média alta, o Judiciário e a mídia empresarial, aumentaram o cerco contra o governo Dilma mesmo quando ele cedeu com o ajuste fiscal. Os setores empresariais internos desembarcaram do governo com a proximidade do golpe, mesmo tendo sido beneficiados com diferentes medidas.
A pesquisa Bloomberg aponta que 49,7% dos entrevistados aprovam o governo, ante 47,3% da pesquisa anterior, divulgada em junho. O que se deve sobretudo à posição firme diante do tarifaço de Trump ao lado das investidas antinacionais da extrema direita e do clã Bolsonaro, o que permitiu recompor um campo reivindicando Soberania Nacional.
O momento é propício para vincular o debate da Soberania com a garantia de direitos para a maioria trabalhadora.
Os vídeos nas redes sociais e as ações das organizações populares apontam para a síntese das próximas lutas em torno da taxação dos ricos, da redução da escala e da jornada de trabalho, sobretudo, há espaço para denúncia, agitação e propaganda contra o papel do imperialismo, apontando a garantia da soberania nacional.
É uma agenda importante que deve ser perseguida pelas organizações dos trabalhadores, vinculando sempre os temas com as condições de vida da população trabalhadora, gerando acúmulo unitário e organizativo.
*Pedro Carrano é jornalista, militante da FORT (Frente de Organização dos Trabalhadores) e da Consulta Popular

