A pandemia do coronavírus chega ao seu ápice no Brasil ao completar um ano dos primeiros infectados pelo vírus no nosso país. Achávamos que a essa altura já estaríamos em uma situação muito menos devastadora, o que não aconteceu em grande medida pela falta de competência e pela política negacionista que toma conta do governo de Bolsonaro, o pior presidente no enfrentamento à pandemia.
Apesar dessa conjuntura catastrófica e ainda incerta, com poucas vacinas garantidas e colapso das redes de saúde, muitos estados e municípios têm defendido e implementado o retorno às aulas presenciais para o ano letivo de 2021. Essa postura é apoiada e pressionada por setores privatistas da educação, como a Fundação Lemann, pelas classes médias ligadas às escolas privadas e pela mídia conservadora. Esses setores se aproveitam desse debate para demonizar a categoria dos professores e professoras e atacar o funcionalismo público, defendendo retirada de direitos e ataque às carreiras.
Falsos argumentos são levantados para a disputa em torno do retorno presencial, como o prejuízo educacional aos estudantes de escolas públicas frente às particulares, visto que muitas dessas últimas já retornaram. Sabemos, no entanto, que a desigualdade educacional que foi escancarada no período da pandemia é muito anterior e revela problemas estruturais de classe que não serão superados com o retorno das aulas presenciais. Outra justificativa é a questão da vulnerabilidade social a que estão sujeitos muitos estudantes, como a violência doméstica, a falta de alimentação adequada, entre outros. Esse argumento mascara o papel não cumprido pelos governantes, como a ampliação do auxílio emergencial e outros acompanhamentos sociais.
De forma geral, as secretarias de educação estão se desonerando da responsabilidade e as jogando para as famílias que ficam com uma decisão muito dura para tomar, principalmente as mais pobres, que são prejudicadas pelo peso da educação como saída da pobreza e da crise. Além disso, as escolas não têm estrutura para receber estudantes e profissionais a desempenharem suas atividades com segurança.
Diante desse cenário, acreditamos que o retorno às aulas presenciais não é a solução para os problemas sociais aprofundados pela pandemia e pelo governo Bolsonaro. Mais do que isso, essa definição incide ainda mais na crise que vivemos ao expor estudantes, profissionais da educação e famílias ao contágio. Por isso, defendemos:
● Vacinação para todos e todas, incluindo os profissionais da educação no grupo prioritário;
● Não ao retorno às aulas presenciais sem o controle da pandemia;
● Manutenção das atividade remotas para profissionais e estudantes;
● Melhora das condições estruturais para a realização das atividades remotas tanto para professores quanto para estudantes;
● Manutenção do auxílio emergencial e outras medidas como a distribuição de cestas básicas às famílias de estudantes em vulnerabilidade, como parte das condições para a atividade remota;
● Acolhimento integrado com saúde e assistência social para estudantes e professores;
● Maior investimento público para as áreas de Educação e Saúde.
● Escola é para aprender, não para ficar doente!

