Por Pedro Carrano
Da página da Consulta Popular
A Palestina, sobretudo o norte da faixa de Gaza, vive bloqueio total à população há 2 meses. Não entra um grão de arroz ou saco de farinha em Gaza devido ao bloqueio do Estado de Israel. Trata-se de numa tática de extermínio e expulsão para o domínio completo do território em Gaza.
O governo sionista de Netanyahu, depois da destruição da infraestrutura do país, de acabar com mais de 20 hospitais e matar mais de 52 mil pessoas, além de 118 mil feridos, desrespeitou os acordos de cessar fogo (respeitados pelo Hamas) e aposta no genocídio agora pela fome completa. Em setembro de 2024, para se ter uma ideia, o número de mortes era estimado em 42 mil.
No fundo, é o cumprimento da estratégia de Trump de que parte da população se desloque para países vizinhos, Jordânia e Egito, para que Israel possa dominar esse território, transformando a terra arrasada em Resort pra acumulação de capital.
Os ataques no campo de refugiados de Rafah já faziam parte desse expediente, comprimindo ainda mais milhões de palestinos num território reduzido e destruído de Gaza.
O Ministro das Fianças de Israel disse esta semana que em poucos meses Gaza será “completamente destruída”. Na mesma semana tivemos o ataque de dois drones contra a Flotilha de Liberdade, durante uma ação solidária.
O resultado final é que crianças estão desnutridas, flertando com a morte em cenas que envergonham a humanidade. Em relatórios, as Nações Unidas destacam que 86% da população da Faixa de Gaza enfrenta fome em nível de crise ou pior.
Em que pese o governo Lula ter posições importantes sobre o tema e ter anunciado aporte financeiro à Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), em fevereiro de 2025, em resposta à suspensão de fundos por parte de países ricos, agora é urgente o governo aumentar a pressão e se colocar de forma contundente contra a fome e o genocídio.
As visitas de Lula à Rússia e à China colocam o desafio de pautar o tema, mesmo num momento extremamente delicado da conjuntura, mas justamente por se tratar de agentes que têm peso na conjuntura internacional para isolar Israel.
Conversando com o companheiro e amigo Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina (Fepal), concordamos que seria um momento importante.
Cabe às organizações populares e sobretudo sindicais pedir posições mais contundentes contra Israel. É preciso, principalmente, articulação maior das centrais sindicais ao redor do mundo em torno de ações concretas em defesa do povo Palestino.
Nada mais importa. O assunto central da humanidade é o freio ao genocídio em Gaza.
Nós que sempre amamos e apoiamos o povo palestino, sua tenacidade e poesia, não podemos ficar calados e cúmplices diante deste extermínio.
*Pedro Carrano é jornalista, militante da FORT (Frente de Organização dos Trabalhadores) e da Consulta Popular
Foto: Saleh Salem/ Reprodução

